fim das justas. Ao
acompanhar Robert ao seu lugar, notou que Cersei Lannister
decidira não comparecer; o lugar ao lado do rei estava vago.
Isto também deu a Ned motivos de esperança.
Abriu caminho até onde a filha estava sentada e a encontrou
no momento em que as trombetas soavam para a primeira
justa do dia. Sansa estava tão absorta que quase pareceu não
notar sua chegada.
Sandor Clegane foi o primeiro cavaleiro a aparecer. Trazia um
manto verde-oliva sobre a armadura de um cinza-fuliginoso.
O manto e o elmo em forma de cabeça de cão eram as suas
únicas concessões à ornamentação.
- Cem dragões de ouro pelo Regicida - Mindinho anunciou
sonoramente quando Jaime Lannister entrou na arena,
montando um elegante cavalo de batalha baio puro-sangue,
que trazia uma cobertura de cota de malha dourada, e Jaime
cintilava da cabeça aos pés. Até a lança tinha sido feita com a
madeira dourada das Ilhas do Verão.
- Está apostado - gritou de volta Lorde Renly. - Cão de Caça
traz hoje um ar faminto.
- Mesmo os cães famintos sabem que não é boa ideia morder a
mão que os alimenta - Mindinho gritou secamente.
Sandor Clegane fez cair o visor com um clac audível e tomou
posição. Sor Jaime atirou um beijo a uma mulher qualquer
que estava entre os plebeus, abaixou com cuidado o visor e
encaminhou-se para a ponta da arena. Os dois homens
abaixaram as lanças.
Nada seria melhor para Ned Stark do que ver ambos perder,
mas Sansa observava de olhos úmidos e ansiosa. A galeria
erguida à pressa estremeceu quando os cavalos romperam a
galope. Cão de Caça inclinou-se para a frente enquanto
avançava, com a lança firme como uma rocha, mas Jaime
mudou habilmente de posição no instante anterior ao
impacto. A ponta da lança de Clegane foi inofensivamente
atirada contra o escudo dourado com o desenho do leão,
enquanto a do Regicida atingia o adversário em cheio. A
madeira estilhaçou-se e Cão de Caça cambaleou, lutando para
se manter sentado. Sansa prendeu a respiração, Uma rude
aclamação ergueu-se entre os plebeus.
- Estou aqui pensando em que poderei gastar seu dinheiro -
gritou Mindinho a Lorde Renly.
Cão de Caça conseguiu manter-se sobre a sela. Fez seu cavalo
dar meia-volta com dureza e regressou à arena para a segunda
passagem. Jaime Lannister atirou ao chão a lança quebrada e
apanhou uma nova, brincando com o escudeiro. Cão de Caça
esporeou o cavalo para um galope duro. Lannister avançou
para enfrentá-lo. Desta vez, quando Jaime Lannister mudou
de posição, Sandor Clegane mudou com ele. Ambas as lanças
explodiram, e quando os estilhaços assentaram, um baio
puro-sangue sem cavaleiro trotava para longe em busca de
grama, enquanto Sor Jaime Lannister rolava na terra,
dourado e amassado.
Sansa disse:
- Eu sabia que Cão de Caça ia ganhar.
Mindinho a ouviu.
- Se sabe quem vai ganhar o segundo encontro, fale agora,
antes que Lorde Renly me depene — ele gritou para ela. Ned
sorriu.
- É uma pena que o Duende não esteja aqui conosco - disse
Lorde Renly. - Teria ganhado o dobro.
Jaime Lannister estava de novo em pé, mas seu ornamentado
elmo de leão tinha sido torcido e amassado na queda, e agora
não conseguia tirá-lo. A plebe gritava e apontava, os senhores
e as senhoras tentavam abafar o riso, sem conseguir, e, sobre
toda aquela algazarra, Ned ouvia o Rei Robert às
gargalhadas, mais alto que todos os demais. Por fim, tiveram
de levar o Leão de Lannister a um ferreiro, cego e aos
tropeções.
Por essa altura, Sor Gregor Clegane já estava em posição no
topo da arena. Era enorme, o maior homem que Eddard
Stark já vira, Robert Baratheon e os irmãos eram todos
homens grandes, tal como Cão de Caça, e em Winterfell havia
um ajudante de cavalariça simplório chamado Hodor que era
maior que todos eles, mas o cavaleiro a quem chamavam
Montanha Que Cavalga teria olhado de cima para Hodor.
Devia ter por volta de dois metros e trinta, com ombros
maciços e braços tão grossos como troncos de pequenas
árvores. Seu cavalo de batalha parecia um pônei entre suas
pernas cobertas de armadura, e a lança que trazia parecia tão
pequena como um cabo de vassoura.
Ao contrário do irmão, Sor Gregor não vivia na corte. Era um
homem solitário que raramente saía de suas terras, exceto
para travar guerras e participar de torneios. Estivera com
Lorde Tywin quando Porto Real caíra, era então um
cavaleiro recém-armado de dezessete anos, mas já notável
pelo tamanho e pela sua implacável ferocidade, Havia quem
dissesse que fora Gregor quem atirara a cabeça do príncipe
criança Árgon Targaryen contra uma parede e quem murmu-
rasse que depois disso violara a mãe, a princesa Elia, de
Dorne, antes de lhe cravar a espada. Não se diziam essas
coisas ao alcance dos ouvidos de Gregor.
Ned Stark não se lembrava de alguma vez ter falado com o
homem, embora Gregor o tivesse acompanhado durante a
rebelião de Balon Greyjoy, um cavaleiro no meio de milhares.
Observou-o inquieto. Não era seu costume dar grande
atenção a mexericos, mas as coisas que se diziam de Sor
Gregor eram mais que sinistras. Preparava